Luísa Jeremias
Luísa Jeremias No meu Sofá

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A nova realidade da informação é mais emotiva

Figuras impenetráveis como Rodrigo Guedes de Carvalho, Bento Rodrigues ou Pedro Pinto ganharam uma nova aura.
14 de maio de 2020 às 00:27
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A nova realidade da informação é mais emotiva
O formato não é novo. Aliás, é importado diretamente dos Estados Unidos onde, há muitos anos, os pivôs dos principais blocos informativos são estrelas que se equiparam a atores de Hollywood. Alguns transitam para os magazines que misturam informação com entretenimento – o chamado infotainment (information and entertainment) e podem surgir em formato de fim de noite nos diferentes canais, ao estilo que por aqui faz Ricardo Araújo Pereira – outros, simplesmente, mantêm-se astros na informação, intocáveis e inquestionáveis no seu estilo acutilante e interventivo.

É a informação anglo-saxónica. A mesma que criou os tabloides – mal-amados pela classe pensante, adorados pelo grande público. Na Europa continental, muito mais clássica no estilo de dar notícias, sempre com vergonha de expressar emoções, colocar um ênfase especial numa reportagem, o estilo opinativo sempre foi criticado.

Até agora. Agora, na "nova realidade", com as emoções à flor da pele, com os espectadores e os leitores em défice dos sentidos mais básicos, qualquer aproximação é bem-vinda. E foi assim, em plena pandemia, que tudo começou a mudar. Até em Portugal.

Figuras impenetráveis como Rodrigo Guedes de Carvalho, Bento Rodrigues ou Pedro Pinto ganharam uma nova aura. Tornaram-se "o amigo do lado de lá do ecrã" que entra em casa todos os dias e transmite mensagens de conforto. Uma espécie de padres em missas intermináveis para os fiéis disponíveis para escutar quantos mortos e feridos houve naquele dia, como vão as pesquisas das vacinas, como é feito o dia a dia na linha da frente (porque isto é uma guerra) e, no final, a homilia que traz alento e sábios conselhos. Amém.

De um momento para o outro, a tradicional piscadela de olho de José Rodrigues dos Santos, tão criticada pelos seus pares (ele, que tem uma escola de jornalismo anglo-saxónica), pareceu até uma despedida gelada. Porque a palavra de alento, o "estou aqui para vos defender", passou a fazer falta ao espectador que, à imagem de outros países, passou a ter um carinho especial pelas mensagens das (boas e más) notícias. A questão agora é: estarão essas novas estrelas preparadas para a sua própria "nova realidade" de estrelas? Saberão os seus limites, o que esperam deles? Ou, será "a gosto", dependendo dos dias? Pois é, a mudança está só a começar, acreditem...

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